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| Procuradores ameaçam renúncia coletiva |
A
força-tarefa da Operação Lava Jato reagiu nesta quarta-feira à desfiguração
pelo plenário da Câmara, nesta madrugada, das dez medidas contra a corrupção
propostas pelo Ministério Público no ano passado.
Em
entrevista coletiva no auditório da Procuradoria da República no Paraná, o
chefe da equipe de procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol, atacou a emenda
que prevê a tipificação do abuso de autoridades por juízes, procuradores e
promotores e disse que as investigações da Lava Jato podem acabar caso a “lei
de intimidação”, como chama, for aprovada.
“Não
será possível continuar trabalhando na Lava Jato se a lei da intimidação for
aprovada”, afirmou o procurador, que classificou a medida aprovada pelos deputados
federais como “o golpe mais forte efetuado contra a Lava Jato concretamente em
toda a sua história”.
O
procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais integrantes da
força-tarefa da Lava Jato, também disse que a operação pode parar caso a emenda
seja aprovada e falou em “renúncia coletiva”. “Vamos renunciar coletivamente à
Lava Jato caso essa proposta seja sancionada pelo presidente”, disse Santos
Lima.
“Aproveitaram
um projeto de combate à corrupção para se protegerem. O motivo é porque estamos
investigando, estamos descobrindo fatos, iríamos chegar muito mais longe. O
instinto é de preservação”, afirma o procurador.
A
inclusão do abuso de autoridade no “pacote anticorrupção”, a partir de uma
emenda da bancada do PDT, foi a primeira mudança aprovada na sessão. A emenda
obteve o apoio de 313 deputados – muitos deles, enrolados no petrolão. Mais
cedo nesta quarta-feira, Deltan Dallagnol já havia postado em seu perfil no
Twitter que “está sendo aprovada a lei da intimidação contra promotores, juízes
e grandes investigações”.
Citando
a infame frase do senador e ex-ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR)
em conversa gravada com o ex-presidente da Transpetro e delator da Lava Jato
Sérgio Machado, Dallagnol afirma que “o objetivo é estancar a sangria. Há
evidente conflito de interesses entre o que a sociedade quer e o que o
Parlamento quer. Se instala a ditadura da corrupção”.
(Portal Revista Veja)
